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Breve dicionário de termos endoscópicos |
Dr. Stéfano Gonçalves Jorge
A - B
- C -
D - E
- F - G -
H - I - J - K -
L - M
- N - O - P - Q -
R - S
- T -
U - V
- X - W - Y - Z
A
ADS -
Arcada dental superior. Serve como parâmetro para medir, principalmente, a
distância da boca até o final do esôfago.
Antro - É a porção do estômago mais
próxima do final, onde o órgão se comunica com o duodeno.
B
Bulbo duodenal - É a porção inicial do
duodeno, mais alargada, onde geralmente são observadas as úlceras e inflamações
no duodeno.
Bulboduodenite - É a presença de
inflamação no bulbo duodenal. Geralmente, como na gastrite, pode ser
classificada, endoscopicamente como enantemática (ou enantematosa, quando a
mucosa está avermelhada) ou erosiva (quando há feridas superficiais). Pode ser
estratificada como leve, moderada ou severa. A bulboduodenite geralmente é
causada pela infecção pelo Helicobacter pylori ou pelo uso de
medicamentos antiinflamatórios não esteroidais.
C
Cárdia
- É a porção do estômago onde ocorre a transição com o esôfago. Espera-se que a
cárdia, durante a endoscopia, esteja fechada ou entreaberta. A cárdia aberta
pode ser sinal de que o esfíncter esofágico inferior não esteja funcionando
(esteja incontinente).

Cárdia (setas vermelhas) como observada em uma endoscopia normal, justa ao
aparelho (setas verdes). Essa imagem é obtida por retrovisão, ou seja, a ponta
do aparelho deu a volta no estômago e está "olhando para trás".
Corpo
- É a porção média do estômago, entre o fundo e o antro.
D
Duodenite - É a presença de inflamação
bulbo duodenal. Geralmente, como na gastrite, pode ser classificada,
endoscopicamente como enantemática (ou enantematosa, quando a mucosa está
avermelhada) ou erosiva (quando há feridas superficiais). Pode ser estratificada
como leve, moderada ou severa. A duodenite geralmente é causada pela infecção
pelo Helicobacter pylori ou pelo uso de medicamentos antiinflamatórios
não esteroidais.

Duodeno - É a porção inicial do
intestino delgado (fino). É no duodeno que ocorrem a maioria das úlceras
causadas pelo Helicobacter pylori e medicamentos.
E
Esofagite - É a inflamação do esôfago. Pode ser classificada como endoscópica
(quando vista pela endoscopia); como enantematosa (ou não erosiva, quando a
mucosa está apenas avermelhada), erosiva (quando há feridas superficiais,
chamadas erosões) ou específica (causada por agente infeccioso, como Candida sp.
ou vírus como o citomegalovírus ou herpes). Geralmente, o diagnóstico de
esofagite endoscópica erosiva (classificada como graus A a D de Los Angeles) é
causado pela doença do refluxo gastroesofágico.
G
Gastrite - É a inflamação do estômago. Pode ser classificada, endoscopicamente,
como enantemática ou enantematosa (quando a mucosa está avermelhada) ou erosiva
(quando há feridas superficiais). Geralmente é classificada como leve, moderada
ou severa. A gastrite aguda geralmente é causada por infecções virais e
medicamentos antiinflamatórios não esteroidais, enquanto que a crônica está mais
relacionada a infecção pelo Helicobacter pylori, uso de medicamentos
antiinflamatórios não esteroidais ou por doença autoimune.
H
Helicobacter pylori - É uma
espécie de bactéria que infecta a mucosa do estômago humano. Muitas úlceras
pépticas, alguns tipos de gastrite e de câncer do estômago são causados pela
infecção por H. pylori, apesar de a maioria dos humanos infectados nunca
chegar a manifestar qualquer tipo de sintomatologia e/ou complicação relacionada
com a bactéria. Estas bactérias vivem quase exclusivamente no estômago humano e
são o único organismo conhecido capaz de colonizar esse ambiente muito ácido, em
parte pela sua capacidade de excretar de uma "nuvem" de amônia que as protege do
ácido. As bactérias têm formato de hélice (daí o nome helicobacter) e a forma
espiralada permite-lhes "atravessar" com mais facilidade a camada de muco que
protege o epitélio gástrico. O diagnóstico é feito, pela endoscopia, com a
coleta de fragmento de mucosa do estômago, que é então analisado por exame
anátomo-patológico ou submetido a teste rápido de urease.

Hérnia de hiato (hérnia hiatal, hérnia
diafragmática) - É como chamamos quando a porção inicial do estômago, onde ele
se liga ao esôfago, está localizada acima do hiato diafragmático (orifício no
diafragma, o músculo que separa o tórax do abdome). A pressão do diafragma é
suficiente para comprimir o esôfago, impedindo o refluxo do conteúdo ácido do
estômago para o esôfago. No entanto, quando há hérnia o diafragma não consegue
comprimir o estômago, deixando essa transição aberta para o refluxo de ácido e a
conseqüente doença do refluxo gastroesofágico. A hérnia
de hiato pode surgir ao nascimento ou com a idade, à medida que os ligamentos
que prendem o estômago vão se afrouxando.
L
Ligadura elástica de varizes - É um
tratamento endoscópico para varizes de esôfago, onde coloca-se um anel elástico
ao redor da variz, provocando a coagulação de sangue no seu interior e o
desaparecimento progressivo da variz ao longo de 2-4 sessões. Após poucos dias,
forma-se uma úlcera e cai o anel, tornando essa fase de pequeno risco de
hemorragia. Mesmo assim, a ligadura elástica é superior à escleroterapia tanto
em eficácia quanto em segurança.

Ligadura elástica de varizes
Los Angeles - é uma classificação
elaborada para avaliar a gravidade da esofagite erosiva, onde o grau A é o mais
leve e o D o mais severo: grau A : uma (ou mais) solução de continuidade da
mucosa confinada às pregas mucosas, não maiores que 5 mm cada; grau B : pelo
menos uma solução de continuidade da mucosa com mais de 5 mm de comprimento,
confinada às pregas mucosas e não contíguas entre o topo de duas pregas; grau C
: pelo menos uma solução de continuidade da mucosa contígua entre o topo de duas
(ou mais) pregas mucosas, mas não circunferencial (ocupa menos que 75% da
circunferência do esôfago); grau D : uma ou mais solução de continuidade da
mucosa circunferencial (ocupa no mínimo 75% da circunferência do esôfago).

Esofagite grau B de Los Angeles. Observe as erosões lineares e tortuosas,
medindo vários centímetros (setas)
M
Monilíase esofágica - É a infecção do
esôfago pelo fungo Candida sp., observada na endoscopia pela presença de
placas esbranquiçadas aderidas à mucosa do órgão. A gravidade da infecção é
classificada segundo os critérios de Kodsi: grau : poucas placas brancas
elevadas de até 2 mm, com hiperemia mas sem edema ou ulceração; grau II:
múltiplas placas brancas elevadas maiores que 2 mm, com hiperemia e edema mas
sem ulceração; grau III: placas elevadas confluentes, lineares e nodulares, com
hiperemia e ulceração; grau IV: achados do grau III com presença de membranas
friáveis e ocasionalmente diminuição do lúmen esofágico.

Monilíase (candidíase) esofágica Kodsi III (fonte)
P
Piloro - É a porção final do estômago,
onde ele se conecta com o duodeno. Funciona como um esfíncter para regular a
entrada de alimentos pré-digeridos no duodeno, onde são misturados com a bile e
o suco pancreático.
Polipectomia - É a retirada endoscópica
de um pólipo. O procedimento costuma ser rápido e indolor, mas como envolve
lesão da mucosa há um risco de perfuração do órgão (maior no cólon do que no
estômago) e de sangramento.

Pólipo sendo retirado
Pólipo - É um crescimento anormal de
tecido que protubera de uma membrana mucosa. O pólipo pode ser mole, carnoso ou
fibroso, geralmente pediculado e piriforme, que se desenvolve nas cavidades
revestidas por uma mucosa. A maior importância dos pólipos é o potencial para o
surgimento de câncer a partir pólipo tipo adenomatoso, além do risco de
sangramento.
R
Retrovisão - É quando o aparelho de
endoscopia é curvado durante o exame de modo a "olhar para trás".
S
Sakita - É uma classificação, elaborada
por Sakita, para úlceras. Nela, a lesão é dividida em 6 estágios evolutivos: A1
e A2 (ativa, active), H1 e H2 (em cicatrização, healing) e S1 e S2
(cicatriz, scar).

Úlcera bulbar H2 de Sakita (fonte)
Sarin - É uma classificação
endoscópicas para
varizes
gástricas. As varizes gástricas são divididas em dois grupos: varizes
gastroesofágicas (VEG) e varizes gástricas isoladas (VGI). As varizes
gastroesofágicas estão sempre associadas à presença de varizes esofágicas,
subdividindo-se em dois grupos: VEG tipo 1 - são continuação de varizes
esofágicas e se estendem por 2 a 5 cm abaixo da transição gastroesofágica pela
pequena curvatura do estômago; VEG tipo 2 - estendem-se para o fundo gástrico.
As varizes gástricas isoladas (VGI) são varizes gástricas na ausência de varizes
esofágicas. Dependendo da localização, subdividem-se em: VGI tipo 1 - varizes
gástricas isoladas localizadas no fundo gástrico a poucos centímetros da cárdia;
VGI tipo 2 - varizes gástricas isoladas que ocorrem em qualquer local do
estômago.

Varizes gástricas isoladas VGI1 de Sarin (setas)
T
TEG (transição esôfago-gástrica) - é o
limite entre o esôfago e o estômago, identificado na endoscopia pela mudança da
mucosa do tipo estratificado (esôfago) para colunar (estômago).
Teste (rápido) de urease - É um exame
realizado para investigar a presença da bactéria Helicobacter pylori na
mucosa do estômago. Fragmentos da mucosa, colhidos durante a endoscopia, são
colocados em um frasco contendo uréia e um indicador de pH. Graças à produção da
enzima urease pelo H. pylori, a uréia é metabolizada em CO2 e amônia,
aumentando o pH e mudando a cor da solução de amarela para avermelhada.
U
Úlcera - no sistema digestivo, é uma
ferida profunda o suficiente para alcançar ou ultrapassar a camada muscular do
órgão afetado. No esôfago, geralmente é causada por doença do refluxo
gastroesofágico ou infecções, no estômago e duodeno pelo Helicobacter pylori
ou uso de antiinflamatórios e no intestino grosso por retocolite ulcerativa ou
doença de Crohn. No estômago e no duodeno, geralmente são classificadas conforme
a classificação de Sakita, onde a úlcera é dividida em 6 estágios evolutivos: A1
e A2 (ativa, active), H1 e H2 (em cicatrização, healing) e S1 e S2
(cicatriz, scar). Algumas características das úlceras podem sugerir que
elas são de origem péptica (relacionadas ao ácido e pepsina) ou câncer.

Úlcera duodenal A2 de Sakita (fonte)
V
Varizes - são dilatações de
veias. No exame endoscópico,
varizes no
esôfago e estômago geralmente estão associadas a
hipertensão portal e ao risco de hemorragia digestiva, que pode ser grave.
As varizes esofágicas são mais comumente classificadas pelos critérios da
Sociedade Japonesa de Pesquisa em Hipertensão Portal, enquanto que as gástricas
pela classificação de Sarin.

Varizes esofágicas F2

Artigo criado em: 10/05/11
Última revisão: 10/05/11
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