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10/05/11 - Dicionário de termos utilizados em endoscopia digestiva alta e gastroenterologia

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Breve dicionário de termos endoscópicos

Dr. Stéfano Gonçalves Jorge

A - B - C - D - E - F - G - H - I - J - K - L - M - N - O - P - Q - R - S - T - U - V - X - W - Y - Z

A

   ADS - Arcada dental superior. Serve como parâmetro para medir, principalmente, a distância da boca até o final do esôfago.

   Antro - É a porção do estômago mais próxima do final, onde o órgão se comunica com o duodeno.

B

   Bulbo duodenal - É a porção inicial do duodeno, mais alargada, onde geralmente são observadas as úlceras e inflamações no duodeno.

   Bulboduodenite - É a presença de inflamação no bulbo duodenal. Geralmente, como na gastrite, pode ser classificada, endoscopicamente como enantemática (ou enantematosa, quando a mucosa está avermelhada) ou erosiva (quando há feridas superficiais). Pode ser estratificada como leve, moderada ou severa. A bulboduodenite geralmente é causada pela infecção pelo Helicobacter pylori ou pelo uso de medicamentos antiinflamatórios não esteroidais.

C

   Cárdia - É a porção do estômago onde ocorre a transição com o esôfago. Espera-se que a cárdia, durante a endoscopia, esteja fechada ou entreaberta. A cárdia aberta pode ser sinal de que o esfíncter esofágico inferior não esteja funcionando (esteja incontinente).


Cárdia (setas vermelhas) como observada em uma endoscopia normal, justa ao aparelho (setas verdes). Essa imagem é obtida por retrovisão, ou seja, a ponta do aparelho deu a volta no estômago e está "olhando para trás".

   Corpo - É a porção média do estômago, entre o fundo e o antro.

D

   Duodenite - É a presença de inflamação bulbo duodenal. Geralmente, como na gastrite, pode ser classificada, endoscopicamente como enantemática (ou enantematosa, quando a mucosa está avermelhada) ou erosiva (quando há feridas superficiais). Pode ser estratificada como leve, moderada ou severa. A duodenite geralmente é causada pela infecção pelo Helicobacter pylori ou pelo uso de medicamentos antiinflamatórios não esteroidais.

   Duodeno - É a porção inicial do intestino delgado (fino). É no duodeno que ocorrem a maioria das úlceras causadas pelo Helicobacter pylori e medicamentos.

E

   Esofagite - É a inflamação do esôfago. Pode ser classificada como endoscópica (quando vista pela endoscopia); como enantematosa (ou não erosiva, quando a mucosa está apenas avermelhada), erosiva (quando há feridas superficiais, chamadas erosões) ou específica (causada por agente infeccioso, como Candida sp. ou vírus como o citomegalovírus ou herpes). Geralmente, o diagnóstico de esofagite endoscópica erosiva (classificada como graus A a D de Los Angeles) é causado pela doença do refluxo gastroesofágico.

G

   Gastrite - É a inflamação do estômago. Pode ser classificada, endoscopicamente, como enantemática ou enantematosa (quando a mucosa está avermelhada) ou erosiva (quando há feridas superficiais). Geralmente é classificada como leve, moderada ou severa. A gastrite aguda geralmente é causada por infecções virais e medicamentos antiinflamatórios não esteroidais, enquanto que a crônica está mais relacionada a infecção pelo Helicobacter pylori, uso de medicamentos antiinflamatórios não esteroidais ou por doença autoimune.

H

   Helicobacter pylori - É uma espécie de bactéria que infecta a mucosa do estômago humano. Muitas úlceras pépticas, alguns tipos de gastrite e de câncer do estômago são causados pela infecção por H. pylori, apesar de a maioria dos humanos infectados nunca chegar a manifestar qualquer tipo de sintomatologia e/ou complicação relacionada com a bactéria. Estas bactérias vivem quase exclusivamente no estômago humano e são o único organismo conhecido capaz de colonizar esse ambiente muito ácido, em parte pela sua capacidade de excretar de uma "nuvem" de amônia que as protege do ácido. As bactérias têm formato de hélice (daí o nome helicobacter) e a forma espiralada permite-lhes "atravessar" com mais facilidade a camada de muco que protege o epitélio gástrico. O diagnóstico é feito, pela endoscopia, com a coleta de fragmento de mucosa do estômago, que é então analisado por exame anátomo-patológico ou submetido a teste rápido de urease.

   Hérnia de hiato (hérnia hiatal, hérnia diafragmática) - É como chamamos quando a porção inicial do estômago, onde ele se liga ao esôfago, está localizada acima do hiato diafragmático (orifício no diafragma, o músculo que separa o tórax do abdome). A pressão do diafragma é suficiente para comprimir o esôfago, impedindo o refluxo do conteúdo ácido do estômago para o esôfago. No entanto, quando há hérnia o diafragma não consegue comprimir o estômago, deixando essa transição aberta para o refluxo de ácido e a conseqüente doença do refluxo gastroesofágico. A hérnia de hiato pode surgir ao nascimento ou com a idade, à medida que os ligamentos que prendem o estômago vão se afrouxando.

L

   Ligadura elástica de varizes - É um tratamento endoscópico para varizes de esôfago, onde coloca-se um anel elástico ao redor da variz, provocando a coagulação de sangue no seu interior e o desaparecimento progressivo da variz ao longo de 2-4 sessões. Após poucos dias, forma-se uma úlcera e cai o anel, tornando essa fase de pequeno risco de hemorragia. Mesmo assim, a ligadura elástica é superior à escleroterapia tanto em eficácia quanto em segurança.


Ligadura elástica de varizes

   Los Angeles - é uma classificação elaborada para avaliar a gravidade da esofagite erosiva, onde o grau A é o mais leve e o D o mais severo: grau A : uma (ou mais) solução de continuidade da mucosa confinada às pregas mucosas, não maiores que 5 mm cada; grau B : pelo menos uma solução de continuidade da mucosa com mais de 5 mm de comprimento, confinada às pregas mucosas e não contíguas entre o topo de duas pregas; grau C : pelo menos uma solução de continuidade da mucosa contígua entre o topo de duas (ou mais) pregas mucosas, mas não circunferencial (ocupa menos que 75% da circunferência do esôfago); grau D : uma ou mais solução de continuidade da mucosa circunferencial (ocupa no mínimo 75% da circunferência do esôfago).


Esofagite grau B de Los Angeles. Observe as erosões lineares e tortuosas, medindo vários centímetros (setas)

M

   Monilíase esofágica - É a infecção do esôfago pelo fungo Candida sp., observada na endoscopia pela presença de placas esbranquiçadas aderidas à mucosa do órgão. A gravidade da infecção é classificada segundo os critérios de Kodsi: grau : poucas placas brancas elevadas de até 2 mm, com hiperemia mas sem edema ou ulceração; grau II: múltiplas placas brancas elevadas maiores que 2 mm, com hiperemia e edema mas sem ulceração; grau III: placas elevadas confluentes, lineares e nodulares, com hiperemia e ulceração; grau IV: achados do grau III com presença de membranas friáveis e ocasionalmente diminuição do lúmen esofágico.


Monilíase (candidíase) esofágica Kodsi III (fonte)

P

   Piloro - É a porção final do estômago, onde ele se conecta com o duodeno. Funciona como um esfíncter para regular a entrada de alimentos pré-digeridos no duodeno, onde são misturados com a bile e o suco pancreático.

   Polipectomia - É a retirada endoscópica de um pólipo. O procedimento costuma ser rápido e indolor, mas como envolve lesão da mucosa há um risco de perfuração do órgão (maior no cólon do que no estômago) e de sangramento.


Pólipo sendo retirado

   Pólipo - É um crescimento anormal de tecido que protubera de uma membrana mucosa. O pólipo pode ser mole, carnoso ou fibroso, geralmente pediculado e piriforme, que se desenvolve nas cavidades revestidas por uma mucosa. A maior importância dos pólipos é o potencial para o surgimento de câncer a partir pólipo tipo adenomatoso, além do risco de sangramento.

R

   Retrovisão - É quando o aparelho de endoscopia é curvado durante o exame de modo a "olhar para trás".

S

   Sakita - É uma classificação, elaborada por Sakita, para úlceras. Nela, a lesão é dividida em 6 estágios evolutivos: A1 e A2 (ativa, active), H1 e H2 (em cicatrização, healing) e S1 e S2 (cicatriz, scar).


Úlcera bulbar H2 de Sakita (fonte)

   Sarin - É uma classificação endoscópicas para varizes gástricas. As varizes gástricas são divididas em dois grupos: varizes gastroesofágicas (VEG) e varizes gástricas isoladas (VGI). As varizes gastroesofágicas estão sempre associadas à presença de varizes esofágicas, subdividindo-se em dois grupos: VEG tipo 1 - são continuação de varizes esofágicas e se estendem por 2 a 5 cm abaixo da transição gastroesofágica pela pequena curvatura do estômago; VEG tipo 2 - estendem-se para o fundo gástrico. As varizes gástricas isoladas (VGI) são varizes gástricas na ausência de varizes esofágicas. Dependendo da localização, subdividem-se em: VGI tipo 1 - varizes gástricas isoladas localizadas no fundo gástrico a poucos centímetros da cárdia; VGI tipo 2 - varizes gástricas isoladas que ocorrem em qualquer local do estômago.


Varizes gástricas isoladas VGI1 de Sarin (setas)

T

   TEG (transição esôfago-gástrica) - é o limite entre o esôfago e o estômago, identificado na endoscopia pela mudança da mucosa do tipo estratificado (esôfago) para colunar (estômago).

   Teste (rápido) de urease - É um exame realizado para investigar a presença da bactéria Helicobacter pylori na mucosa do estômago. Fragmentos da mucosa, colhidos durante a endoscopia, são colocados em um frasco contendo uréia e um indicador de pH. Graças à produção da enzima urease pelo H. pylori, a uréia é metabolizada em CO2 e amônia, aumentando o pH e mudando a cor da solução de amarela para avermelhada.

U

   Úlcera - no sistema digestivo, é uma ferida profunda o suficiente para alcançar ou ultrapassar a camada muscular do órgão afetado. No esôfago, geralmente é causada por doença do refluxo gastroesofágico ou infecções, no estômago e duodeno pelo Helicobacter pylori ou uso de antiinflamatórios e no intestino grosso por retocolite ulcerativa ou doença de Crohn. No estômago e no duodeno, geralmente são classificadas conforme a classificação de Sakita, onde a úlcera é dividida em 6 estágios evolutivos: A1 e A2 (ativa, active), H1 e H2 (em cicatrização, healing) e S1 e S2 (cicatriz, scar). Algumas características das úlceras podem sugerir que elas são de origem péptica (relacionadas ao ácido e pepsina) ou câncer.


Úlcera duodenal A2 de Sakita (fonte)

V

   Varizes  - são dilatações de veias. No exame endoscópico, varizes no esôfago e estômago geralmente estão associadas a hipertensão portal e ao risco de hemorragia digestiva, que pode ser grave. As varizes esofágicas são mais comumente classificadas pelos critérios da Sociedade Japonesa de Pesquisa em Hipertensão Portal, enquanto que as gástricas pela classificação de Sarin.


Varizes esofágicas F2

 

Artigo criado em: 10/05/11
Última revisão: 10/05/11