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Dor Torácica Não Cardíaca

Dr. Stéfano Gonçalves Jorge

 

I. Epidemiologia

  • a dor torácica é causa de 2-4% das visitas ao pronto-socorro nos EUA;
  • destas, 25-50% não tem causa cardíaca;
  • 10-30% dos pacientes encaminhados para cateterismo cardíaco têm exame normal.

 

II. Diagnóstico Diferencial

 

Diagnóstico Diferencial de Dor Torácica

Cardíaca

Isquêmica

Aterosclerótica

DTNC

TGI

Dismotilidade esofágica

 

 

Espasmo coronariano

 

 

Refluxo gastroesofágico

 

 

Hipertensão sistêmica

 

 

Rutura esofágica ( Boerhaave )

 

 

Hipertensão pulmonar

 

 

Sd. Mallory-Weiss

 

 

Estenose aórtica

 

 

Esofagite específica

 

 

Insuficiência aórtica

 

 

Corpo estranho esofágico

 

 

Cardiomiopatia hipertrófica

 

 

Doença péptica

 

 

Anemia severa

 

 

Pancreatite

 

 

Hipóxia severa

 

 

Doença biliar

 

 

Policitemia

 

 

Infarto esplênico

 

Não isquêmica

Dissecção aórtica

 

 

Distenso gasosa intestinal

 

 

Aneurisma aórtico

 

Pulmonar

Embolismo pulmonar

 

 

Pericardite

 

 

Pneumotórax

 

 

Prolapso da válvula mitral

 

 

Pneumonia

 

 

Miocardite

 

 

Pleurite

 

 

Cardiomiopatia

 

 

Broncoespasmo

DTNC

Neuromusculoesquelético

Sd. do desfiladeiro torácico

 

 

Hipertensão pulmonar

 

 

Vertebropatia cervical

 

 

Traqueíte e traqueobronquite

 

 

Costocondrite ( Tietze )

 

 

Tumor intratorácico

 

 

Fratura costal

 

Outros

Cocaína

 

 

Neoplasia

 

 

Linfoma

 

 

Herpes zoster

 

 

Diabetes

 

 

Leucemia aguda

 

 

Uremia

 

 

Neurite intercostal

 

 

Litíase renal

 

 

Disfunção autonômica

 

 

Tromboflebite superficial

 

Psiquiátrico

Depressão

 

 

Mediastinite

 

 

Ansiedade

 

 

Enfisema mediastinal

 

 

Síndrome do pânico

 

 

Neoplasia mediastinal

 

III. História

  • excluir cardiopatia isquêmica;
  • fatores de risco para aterosclerose ( idade, sexo, história familiar, tabagismo, colesterol, hipertensão, diabetes, vasculopatia periférica, coronariopatia ou IAM prévios e personalidade tipo A;
  • características da dor: fatores precipitantes e de melhora, tipo, localização, duração, freqüência, radiação, padrão e sintomas associados;
  • em idosos, diabéticos, sequelados de AVC, com doença medular, safenados, e transplantados os sintomas podem ser apenas mal estar, sudorese, náusea, dispnéia e desconforto;
  • 25% dos IAM são clinicamente silenciosos.

 

IV. Dor isquêmica

  • localização e radiação:
    • tipicamente na região subesternal inferior; pode ter irradiação para um ou ambos os braços, ombros, cervical anterior, mandíbula e, menos freqüente, para dentes, punhos e dorso;
  • características:
    • sensação visceral profunda, com descrição e intensidades variáveis; raramente é descrita como aguda, bem localizada, rasgada ou em facada;
  • duração:
    • geralmente de 2 a 20 minutos; em dor > 30 minutos devemos suspeitar de IAM ou DTNC;
  • fatores desencadeantes e de melhora:
    • geralmente é precipitada por stress emocional, refeições copiosas, deitar-se ( angina de decúbito ), relação sexual e esforço; pode ser aliviada por descanso entre 2-10 minutos, nitratos em 2-5 minutos, por levantar-se, massagem carotídea, oxigênio ou beta-bloqueadores.

 

IV. Diagnóstico

  • exame físico:
    • sinais vitais, estado geral, pele ( xantelasmas ), palpação torácica, ausculta, palpação abdominal, exame vascular e manobras especiais ( Adson );
  • ECG:
    • pacientes no PS com dor torácica e elevação ST e ondas Q tem 85% de chance de ter um IAM; mas apenas 13% com IAM tem ambos os achados;
  • RX tórax:
    • aumento do mediastino, infiltrados pulmonares, pneumotórax, congestão, cardiomegalia, atelectasia, fraturas, condensações, etc.;
  • Outros:
    • ecocardiografia durante a dor é mais sensível mas menos específica ( 53% ) que o ECG.

 

V. Etiologia

  • Cardíaca:
    • sensibilidade cardíaca aumentada;
    • prolapso de válvula mitral;
    • pericardite: aguda, em facada, à esquerda, alivia com decúbito, deglutição e tosse, dura horas e não se relaciona ao exercício;
    • miocardite: espectro clínico varia de anormalidades ao ECG até choque cardiogênico;
    • cocaína: associa-se ao IAM por aumentar demanda de oxigênio e diminuir fluxo coronariano;
  • Pulmonar:
    • hipertensão pulmonar: produz sintomas semelhantes à angina típica, por isquemia ventricular direita ou dilatação das artérias pulmonares;
    • doenças pleurais: pioram com inspiração profunda ou tosse, sem piora ao movimento ou palpação;
    • pneumonia: causa dor torácica quando se estende à pleura;
    • pneumotórax: causa dor pleurítica e dispnéia;
    • embolia pulmonar: pode causar dor pleurítica ( êmbolos pequenos, que provocam infarto pulmonar e atelectasia ), ou uma dor profunda , visceral e vaga ou dor subesternal ( embolia maciça );
  • Vascular:
    • dissecção aórtica: dor severa persistente irradiando para as costas, regiões interescapular ou lombar; pode se confundir com IAM e estar associado a ele ( por dissecção das coronárias );
    • aneurisma aórtico: pode causar dor ao se expandir ou devido a erosão dos corpos vertebrais;
  • Psiquiátrica:
    • Depressão, ansiedade e episódios de pânico ( dispnéia, sudorese, taquicardia, sensação de sufocamento, tonturas e medo de morrer );
  • Musculoesquelética:
    • geralmente dura menos que 1 minuto mas pode durar dias;
    • Síndrome de Tietze ( costocondrite ) surge com eritema e edema das junções costocondrais e costoesternais e a dor pode ser desencadeada por pressão local;
    • osteoartrite cervical e torácica superior com hérnias discais podem causar dor similar à angina pectoris, mas com piora com posição, tosse e achados neurológicos;
    • Síndrome do desfiladeiro torácico pode ser evidenciado pela manobra de Adson;
    • herpes zoster
  • Esogáfica:
    • doença do refluxo gastroesofágico:
      • 25-50% dos pacientes com DTNC;
      • metade destes pacientes têm esofagite;
      • teste terapêutico ( omeprazol 40 mg cedo e 20 mg à noite por 7 dias ) tem sensibilidade 78% e especificidade 86%;
    • aumento da sensibilidade visceral:
      • dor à infusão ácida, dilatação por balão, colinérgicos e cateterização cardíaca;
      • tratamento:
        • trazodona ( donaren® ) 50 mg à noite;
        • imipramina ( tofranil® ) 25 mg 12/12 hs
    • dismotilidade esofágica:
      • achados conflitantes em literatura.

 

Recomendação da Canadian Gastroenterologic Association ( modificada )

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