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DOENÇAS DO ESÔFAGO

Dr. Stéfano Gonçalves Jorge CRM-SP 88.173

INTRODUÇÃO

   A história clínica é extremamente importante no diagnóstico de doenças do esôfago. Com uma história adequada, é possível  descobrir a causa dos sintomas na maioria dos casos. Mesmo assim, diversos exames complementares estão disponíveis e são  usados rotineiramente para confirmar o diagnóstico ou excluir outras causas. O principal exame complementar para a avaliação do  esôfago é a endoscopia digestiva alta pois, apesar de desconfortável, é o exame mais eficiente para um amplo espectro de doenças e  é o melhor para descartar ou confirmar a presença de câncer, pela possibilidade de coleta de material para biópsias. Outros exames  freqüentemente usados incluem o raio-X contrastado, a pHmetria e a manometria.

SINTOMAS

   Alguns sintomas estão relacionados a doenças do esôfago e se referem diretamente a a causas específicas:    Pirose (queimação) é a sensação de queimadura que sobe do epigastro  (onde fica o estômago), pela região retroesternal (atrás do osso central do  tórax) e que pode chegar até o pescoço. Costuma estar relacionado a  alimentos e à posição (geralmente piora quando se deita). Cerca de um terço  das pessoas tem esse sintomas uma vez ao mês e 7% de todas as pessoas  tem esse sintoma diariamente. A grande maioria das vezes a queimação é  causada pela doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). Só com esse  sintoma, é possível realizar o diagnóstico correto da DRGE em 80% dos casos  (valor preditivo positivo). No entanto, a ausência de pirose não descarta a  presença de DRGE, pois apenas 80% dos portadores de refluxo apresentam  esse sintoma.    Regurgitação é o refluxo de pequenas quantidades de material de sabor  ácido para a boca, geralmente após as refeições. Ocorre em cerca de um terço  dos portadores da doença do refluxo gastroesofágico, mas podem ocorrer  ocasionalmente com qualquer pessoa, principalmente após refeições em  grande quantidade ou quando a pessoa tem o hábito de se alimentar pouco  antes de deitar.    Odinofagia é a dor após engolir, quando o alimento está passando pelo  esôfago. Esse sintoma é relativamente raro na doença do refluxo gastroesofágico, pois geralmente reflete erosões mais graves ou  úlceras, particularmente aquelas causadas por infecções do esôfago (monilíase, citomegalovírus, herpes e outras) ou por  medicamentos.    Dor torácica pode ocorrer por doenças do esôfago e pode ter as mesmas características  de dor de origem cardíaca (angina). Cerca de 25 a 50% das dores torácicas são  consideradas dor torácica não cardíaca. Nem sempre a dor de origem esofágica aparece em conjunto de outros sintomas dispépticos, pode ser sintoma único em 10% dos casos. Ao  contrário do que se costuma pensar, algumas medicações para doenças cardíacas podem  melhorar a dor causada por doenças do esôfago, portanto a melhora com medicamentos  não serve para diferenciar a dor cardíaca da esofágica. Obviamente, como os riscos de  doenças cardíacas são maiores do que das esofágicas, convém descartar uma causa  cardíaca o mais rápido possível.    Disfagia é a dificuldade de passagem do alimento da boca até o estômago. Deve-se  diferenciar a disfagia por um distúrbio da deglutição (ato de engolir) da por doenças do  esôfago. A disfagia orofaríngea ocorre em até 1 segundo e geralmente é causada por  doenças musculares ou neurológicas, mas também pode ser causada por úlceras orais,  tumores ou divertículo de Zenker. A disfagia de origem esofágica pode ter diversas causas.  Essas podem ser divididas entre as por uma obstrução (como câncer ou a presença de  corpo estranho), as por dificuldade do esôfago de coordenar a musculatura de modo a  permitir a passagem adequada do alimento (como na acalasia e na Doença de Chagas) ou  doenças inflamatórias (como na esofagite eosinofílica). Também é necessário diferenciar a  disfagia da doença orgânica do globus faríngeo, uma situação principalmente relacionada a  depressão ou ansiedade onde há sensação de “bola na garganta”, mas sem disfagia real.