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Doenças do Esôfago

Dr. Stéfano Gonçalves Jorge

   I. Introdução

   A história clínica é extremamente importante no diagnóstico de doenças do esôfago. Com uma história detalhada, é possível descobrir a causa dos sintomas na maioria dos casos. Mesmo assim, diversos exames complementares estão disponíveis e são usados rotineiramente para confirmar o diagnóstico ou excluir outras causas. O principal exame complementar para a avaliação do esôfago é a endoscopia digestiva alta pois, apesar de desconfortável, é o exame mais eficiente para um amplo espectro de doenças e é o melhor para descartar ou confirmar a presença de câncer, pela possibilidade de coleta de material para biópsias. Outros exames freqüentemente usados incluem o raio-X contrastado, a pHmetria e a manometria.

   II. Sintomas

   Alguns sintomas estão relacionados a doenças do esôfago e se referem diretamente a a causas específicas:

   Pirose ( queimação ) é a sensação de queimadura que sobe do epigastro ( aonde fica o estômago, pela região retroesternal ( atrás do osso central do tórax ) e que pode chegar até o pescoço. Costuma estar relacionado a alimentos e à posição ( geralmente piora quando se deita ). Cerca de um terço das pessoas tem esse sintomas uma vez ao mês e 7% de todas as pessoas tem esse sintoma diariamente. A grande maioria das vezes a queimação é causada pela doença do refluxo gastroesofágico. Só com esse sintoma, é possível realizar o diagnóstico correto da DRGE em 80% dos casos ( valor preditivo positivo ). No entanto, a ausência de pirose não descarta a presença de DRGE, pois apenas 80% dos portadores de refluxo apresentam esse sintoma.

   Regurgitação é o refluxo de pequenas quantidades de material de sabor ácido para a boca, geralmente após as refeições. Ocorre em cerca de um terço dos portadores da doença do refluxo gastroesofágico, mas podem ocorrer ocasionalmente com qualquer pessoa, principalmente após refeições em grande quantidade.

   Odinofagia é a dor após engolir, quando o alimento está passando pelo esôfago. Esse sintoma é relativamente raro na doença do refluxo gastroesofágico, pois geralmente reflete erosões mais graves ou úlceras, particularmente aquelas causadas por infecções do esôfago ( monilíase, citomegalovírus, herpes e outras ) ou por medicamentos.

Causas de odinofagia
 
Esofagite medicamentosa antibióticos doxiciclina
tetraciclina
clindamicina
antivirais zidovudina
zalcitabina
antiinflamatórios não esteroidais
outros pílulas de cloreto de potássio
quinidina
sulfato ferroso
ácido ascórbico
fenitoína
teofilina
Esofagite infecciosa Candida albicans
herpes simples
citomegalovírus
Esofagite corrosiva
Esofagite por refluxo severa
Ulcerações inespecíficas AIDS

   Dor torácica pode ocorrer por doenças do esôfago e pode ter as mesmas características de dor de origem cardíaca ( angina ). Cerca de 25 a 50% das dores torácicas são consideradas dor torácica não cardíaca. Nem sempre a dor de origem esofágica aparece em conjunto de outros sintomas dispépticos, pode ser sintoma único em 10% dos casos. Ao contrário do que se costuma pensar, algumas medicações para doenças cardíacas podem melhorar a dor causada por doenças do esôfago, portanto a melhora com medicamentos não serve para diferenciar a dor cardíaca da esofágica. Obviamente, como os riscos de doenças cardíacas são maiores do que das esofágicas, convém descartar uma causa cardíaca o mais rápido possível.

   Disfagia é a dificuldade de passagem do alimento da boca até o estômago. Deve-se diferenciar a disfagia por um distúrbio da deglutição ( ato de engolir ) da por doenças do esôfago. A disfagia orofaríngea ocorre em até 1 segundo e geralmente é causada por doenças musculares ou neurológicas, mas também pode ser causada por úlceras orais, tumores ou divertículo de Zenker. A disfagia de origem esofágica pode ter diversas causas:

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